Rental Mobility 2026 põe a elétrica na mesa da locação

Geely e Renault lançam modelos no evento do SINDLOC-SP, mas o número que importa é outro

MBARental22 de setembro de 2026 3 min de leitura
Capa editorial: Rental Mobility 2026 põe a elétrica na mesa da locação. JGCorp.

No dia 24 de setembro de 2026, o Transatlântico Convention Center recebe a quinta edição do Rental Mobility, das 8h30 às 18h. O SINDLOC-SP organiza, Eladio Paniagua Jr. preside a entidade, e o programa já tem dois nomes confirmados na vitrine de lançamentos, Geely com o EX2 e Renault com a nova geração do Kwid. Depois de trinta anos rodando esse setor, aprendi que o lançamento em si conta menos do que a pergunta que ele obriga cada locadora a responder.

A pergunta é simples de fazer e difícil de encarar. O mercado paulista de locação movimenta R$ 17,6 bilhões e opera uma frota que já beira 1 milhão de veículos. Esse volume não convive bem com indecisão, e é exatamente indecisão o que vejo em boa parte das locadoras médias quando o assunto é elétrico.

Os números da produção nacional ajudam a entender a pressa. O Brasil produziu 1,898 milhão de autoveículos entre janeiro e agosto de 2026, um crescimento de 8,5% sobre o mesmo período do ano passado. Os emplacamentos subiram 18,4% no intervalo, para 1,975 milhão de unidades. Dentro desse total, os eletrificados saltaram de 164 mil para 372 mil emplacamentos, um avanço de 125,8%. Quando uma fatia do mercado dobra de tamanho em doze meses, ela deixa de ser nicho e vira decisão de compra que qualquer gestor de frota vai ter que justificar para a diretoria.

A edição anterior do Rental Mobility reuniu mais de 600 visitantes, e a agenda deste ano amplia o escopo para além da eletrificação. Rentabilidade, sucessão empresarial e gestão de seminovos entram na programação, e essa combinação não é acaso. Elétrico bem comprado e mal vendido vira prejuízo disfarçado de inovação, porque o valor residual de um veículo eletrificado ainda responde a regras diferentes das que a locadora aprendeu com o motor a combustão.

Eu já vi essa história se repetir com outras tecnologias. Quem comprou frota flex cedo aprendeu na prática que o ganho estava na manutenção mais barata, não no preço de tabela. Com o elétrico o padrão se repete, só que a curva de aprendizado é mais cara e o prazo para errar é mais curto. A bateria degrada, o seguro custa diferente, a rede de assistência técnica ainda é rala fora da capital, e nada disso aparece na planilha de aquisição.

O EX2 da Geely e o novo Kwid da Renault vão entrar na conversa do evento como estudo de caso, não como vitrine de showroom. O que interessa ao gestor de frota é o custo total de posse desses modelos ao longo de trinta e seis meses de locação, comparado ao residual que o mercado paga hoje por um seminovo elétrico. Essa conta ainda não está fechada no Brasil, e quem espera o consenso formar antes de agir vai comprar caro depois.

O setor que cresce 18,4% em emplacamentos e dobra a fatia de eletrificados não espera a próxima edição do evento para forçar essa conta em cima da mesa de quem gerencia frota. Locadora que trata eletrificação como pauta de palestra, sem plano de compra, sem política de manutenção e sem estratégia de saída definida, vai chegar ao Rental Mobility de 2027 discutindo o mesmo problema com um ano a menos de vantagem competitiva.

Leia a notícia original em: https://inforental.com.br/rental-mobility-chega-a-5a-edicao-com-foco-em-eletrificacao-e-locacao/

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