MBARental chega para preencher lacuna do setor

O primeiro MBA dedicado a locação de veículos e equipamentos forma sua turma em agosto de 2027, e isso diz muito sobre o tamanho que o rental já tem no Brasil

MBARental25 de setembro de 2026 3 min de leitura
Capa editorial: MBARental chega para preencher lacuna do setor. JGCorp.

Trinta anos rodando entre pátio de locadora de carro e canteiro de obra com máquina alugada, e nunca vi um curso de gestão que explicasse por que o valor residual de uma frota cai de um jeito e o de um equipamento pesado cai de outro completamente diferente. MBA genérico ensina fluxo de caixa, ensina precificação, ensina crédito. Nenhum deles ensina o que fazer quando o banco olha seu ativo alugado e trata como se fosse estoque parado.

Esse buraco tem nome agora. O MBARental, anunciado em 22 de setembro de 2026 pelo Inforental, forma sua primeira turma em 17 de agosto de 2027, e reúne gente que eu conheço de convenção de setor há anos. Roberto Bastos Toffano, da Stellantis Locadora, Mônica Zambolini, da Conceito Locadora de Equipamentos, Cláudio Zattar, que passou pela Unidas, Carlos Tristão, do Go2 Capital. Não é curso montado por professor de universidade que nunca fechou um contrato de locação de guindaste. É curso montado por quem decide taxa de depreciação numa reunião de sexta feira às cinco da tarde.

Paulo Esteves e Paulo Miguel Junior puxaram a articulação, mas o time cresceu rápido. Adriana Braga, da Rental Fair, Bruno Arena, da Casa do Construtor, Ana Paula Miranda, do Grupo Emtel, João Appolinário, da wRent. Setor de locação no Brasil movimenta frota, movimenta equipamento pesado, movimenta crédito estruturado em cima de ativo que se deprecia todo mês, e até hoje quem entra pra gerir isso aprendia no erro, com contrato mal precificado ou com residual que vem abaixo do que a planilha prometia.

Minha tese sobre esse setor sempre foi a mesma, e o MBARental é prova disso. Ninguém precisa reinventar locação do zero. Precisa profissionalizar o que já existe, com gente que sabe a diferença entre depreciação contábil e depreciação real de mercado, entre taxa de ocupação de frota leve e taxa de ocupação de equipamento de construção. Isso não se aprende num MBA de finanças corporativas genérico, porque lá ninguém fala de tributação específica de locação, nem de como estruturar crédito para comprar frota sem descasar prazo de financiamento com prazo de contrato.

O mercado de locação no Brasil ainda trata gestão como habilidade que se adquire na prática, e isso custa caro. Custa em contrato mal fechado, em residual que surpreende no relatório trimestral, em decisão de compra de frota tomada sem entender ciclo de revenda. Paulo Henrique Souza, Rodrigo Santana, Juliana Premero e outros nomes que entraram na apuração do Inforental representam justamente essa geração que aprendeu na porrada e agora quer transformar isso em conteúdo estruturado.

A formatura em agosto de 2027 vai colocar no mercado a primeira leva de gestores formados especificamente para operar frota alugada, equipamento pesado e crédito estruturado de rental. Quem contratar esses profissionais primeiro sai na frente numa disputa que já está acontecendo dentro das locadoras médias, entre quem ainda decide preço de contrato no feeling e quem começa a decidir com modelo. Essa diferença vai aparecer no balanço antes de aparecer em qualquer discurso de inovação.

Leia a notícia original em: https://inforental.com.br/por-que-o-setor-de-rental-nunca-teve-um-mba-proprio/

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