Toda compra de frota é uma decisão de capital
Alcebíades Santos da Silva estreia a coluna Capital em Movimento no InfoRental com uma tese que incomoda quem só olha faturamento e EBITDA

A InfoRental lançou em 14 de outubro a coluna Capital em Movimento, assinada por Alcebíades Santos da Silva, CFO e conselheiro consultivo com mais de trinta anos de Finanças, Controladoria e Operações. O primeiro texto parte de uma provocação simples de enunciar e difícil de praticar: toda compra de ativo em uma locadora é uma decisão de alocação de capital, não um gasto operacional disfarçado de investimento.
Silva usa um exemplo hipotético de R$ 5 milhões destinados à expansão de frota para mostrar o raciocínio que falta em boa parte das reuniões de diretoria. Esse dinheiro não existe sozinho, ele compete com reduzir dívida, com investir em tecnologia de gestão e com simplesmente preservar caixa em um ciclo mais apertado. Quem decide comprar frota sem comparar essas alternativas está escolhendo por hábito, não por retorno.
Eu acompanho esse tipo de análise é a vantagem que falta a boa parte dos executivos de locadora, e os trinta anos de Silva em controladoria explicam por que ele insiste em olhar o ciclo completo do ativo. Compra, utilização, manutenção e venda formam uma única conta, e tratar cada etapa separadamente é o jeito mais rápido de perder dinheiro sem perceber onde.
Na prática, o texto propõe conectar resultado operacional, caixa e capital empregado em uma só leitura, em vez de celebrar faturamento crescente enquanto o capital empregado cresce ainda mais rápido. Já vi locadora dobrar receita em três anos e destruir valor para o acionista no mesmo período, porque ninguém mediu quanto capital foi queimado para sustentar esse crescimento.
O consenso do setor ainda trata EBITDA como medida suficiente de saúde financeira, e aqui mora o erro que Silva ataca sem rodeio. EBITDA não desconta depreciação, não mostra o custo do capital imobilizado em pátio parado e não revela se o valor residual na venda ficou abaixo do que a planilha de compra prometeu. Uma locadora pode reportar EBITDA recorde e ainda assim estar destruindo capital, basta o giro do ativo ter piorado sem que ninguém tenha acompanhado esse número com a mesma atenção dada à receita.
A chegada dessa coluna marca algo que eu defendo desde que comecei a analisar frota como ativo financeiro e não como centro de custo: o setor de locação amadureceu em escala, mas não amadureceu na mesma velocidade em disciplina de capital. Expandir frota ficou fácil quando o crédito estava barato, e isso escondeu quem comprava bem de quem só comprava rápido.
Para o gestor que administra o dia a dia, a mudança prática começa na próxima reunião de CAPEX. Antes de aprovar a compra de um veículo ou equipamento, vale perguntar qual seria o retorno de aplicar aquele mesmo valor em reduzir dívida ou em tecnologia de telemetria que melhora giro. Quando essa pergunta entra na pauta, a planilha de aprovação muda de forma, e o número que decide deixa de ser só a taxa de locação prometida pelo vendedor da fabricante.
Leia a notícia original em: https://inforental.com.br/capital-em-movimento-artigo-01/
