Alugar Campinas discute reforma tributária e precificação
Em 24 de setembro, ALEC reúne setor que foi de 4 mil para 30 mil locadoras em treze anos

O setor de locação vai faturar R$ 52,9 bilhões em 2026, siga o cálculo, contra R$ 49,4 bilhões em 2025, um crescimento de 7% que parece modesto perto da média de 10% ao ano dos últimos cinco exercícios. Quem só olha o número de cima erra a leitura, porque a desaceleração não é sinal de fraqueza, é sinal de que o setor está entrando numa fase em que crescer significa gerir margem, não só volume.
É nesse contexto que a ALEC organiza a quinta edição do Alugar Campinas, no dia 24 de setembro, das 17h30 às 21h30, na Catedral do Chopp, no Cambuí. Já estive em edições regionais parecidas em outros estados, e o padrão se repete: o empresário que aluga máquina, andaime ou equipamento pesado aprende mais numa mesa com concorrente do que em qualquer relatório setorial.
A palestra de Jéssica Fernandes, da AUDITLocOne, sobre Reforma Tributária, é o prato principal e não por acaso. Locação de bens móveis tem estrutura tributária própria, cheia de particularidades que a reforma promete simplificar mas que, na prática de quem opera, ainda gera mais dúvida do que clareza. Toda locadora que conheço está recalculando sua formação de preço, porque um erro de alíquota hoje vira prejuízo estrutural em 2027, quando o novo sistema começa a valer de fato.
O Hot Seat com Giselle Ribeiro, da Conceito Locadora, Rodrigo Camargo, da SOS Máquinas e Furos, e Alexandre de Miranda Gonzalez, da Campimaq, é o tipo de painel que costuma valer mais que a palestra principal. Não porque o conteúdo técnico seja menos importante, mas porque três empresários de operações diferentes contando o que erraram na precificação, na compra de frota ou na negociação com fornecedor entregam um tipo de dado que nenhuma consultoria reproduz. Custa R$ 70 por participante adicional para quem não é associado, um valor simbólico perto do que uma decisão errada de preço custa numa frota de médio porte.
O número que mais me chama atenção no material da ALEC não é o faturamento, é a curva de locadoras no recorte de linha leve, que saltou de 4 mil empresas em 2012 para 30 mil em 2025. Isso não é um setor nascendo, é um setor se multiplicando dentro da própria lógica que já funcionava, pulverizando capital e clientela num modelo que existia desde antes da palavra mobilidade virar tese de slide corporativo. O rental brasileiro representa 0,4% do PIB e ainda concentra 60% da operação no Sudeste, o que significa que boa parte do país ainda não tem acesso à estrutura que Campinas discute nessa terça de setembro.
Gestor que for ao Cambuí sai com duas tarefas concretas, revisar a planilha de precificação à luz da reforma antes que ela vire lei aplicada, e mapear na própria carteira quantos clientes ainda pagam por modelo de contrato desatualizado. As 200 mil pessoas empregadas por esse setor não vão sentir a reforma tributária como notícia de jornal, vão sentir como linha de custo na próxima renovação de frota, e isso já deveria estar na pauta de qualquer reunião de diretoria antes do fim do ano.
Leia a notícia original em: https://inforental.com.br/alugar-9/
